Feiras e congressos crescem em São Paulo após caos aéreo
O mercado de feiras e eventos saiu praticamente ileso da crise área que assolou o setor de turismo nos últimos dois anos. O motivo, no entanto, não é digno de comemoração. Apesar das dimensões continentais do Brasil, a cidade de São Paulo é o único grande pólo atrativo de eventos do setor, concentrando 75% das grandes feiras nacionais.
Dados do São Paulo Convention & Visitors Bureau (SPCVB), mostram que só neste primeiro semestre foram realizados 909 grandes feiras e congressos. O índice já é 8% superior ao dos eventos cadastrados em todo o ano passado. Se considerado apenas as grandes feiras de negócios, a União Brasileira dos Promotores de Feiras (Ubrafe), informa que estão previstos para este ano 159 feiras em todo o País, sendo que, desse total 119 serão realizadas na capital paulista. Esses números, porém, estão defasados, segundo o presidente da Ubrafe, Armando Campos Mello.
"O levantamento é feito no começo do ano e muitas empresas só divulgam seu calendário depois", afirma. Mello prevê que o País tenha 170 eventos neste ano, sendo 126 em São Paulo. "São Paulo tem o maior parque hoteleiro do País, o que ajuda a atrair mais eventos", afirma Toni Sando, diretor-superintendente do SPCVB. "Além do mais, muitas empresas têm evitado fazer eventos fora do eixo Rio-São Paulo para não correr riscos, como na época da crise aérea", avalia.
Mello conta que o setor de eventos vem crescendo no compasso da economia. "Feira é a relação de quem produz com o canal de distribuição, e depende fundamentalmente do Produto Interno Bruto (PIB) da Indústria, que vem crescendo nos últimos dois anos", afirma.
De acordo com Mello, a crise aérea fez suas vítimas também no setor de feiras. "Mas fomos menos prejudicados que o segmento de congressos, cujas atividades variam muito mais no período de eventos, e perder um dia pode significar perder o evento inteiro", afirma, ressaltando que nenhuma feira foi cancelada durante a crise aérea.
Segundo Mello, a concentração em São Paulo é fruto da falta de investimentos na construção de uma infra-estrutura em outras cidades. "Só em São Paulo, temos sete grandes centros de exposição, enquanto em países como a Alemanha, a estrutura montada por governo em parceria com a iniciativa privada é dividida em várias cidades", explica. "Há boa estrutura em capitais como Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
Eventos como o Fenasucro Agrocana, realizado em Sertãozinho, interior de São Paulo, são raridades, praticamente uma questão logística das empresas localizadas na região", diz. A Nielsen Business Media é uma das empresas que aposta em levar seus eventos para fora do eixo Rio-São Paulo. Atualmente, são dois eventos - a CE Cosmetique, que acontece em outubro no Recife, e Analítica Regional Meeting, que começa em novembro em Salvador. A empresa, braço da The Nielsen Company para o segmento de feiras e negócios, prevê um crescimento de até 10% no volume de negócios em 2008. Segundo Ligia Amorim, diretora-geral da Nielsen Business Media para América Latina, a empresa prevê, inclusive, trazer novas feiras ao País.
Especialização
A principal tendência do mercado, segundo Mello, é a especialização das feiras, como o que aconteceu com a gigante Feira Internacional da Mecânica, que nasceu em 1959, durante a corrida desenvolvimentista empreendida pelo governo JK. Na época, o Brasil já fabricava 70% dos equipamentos necessários a setores industriais estratégicos, como petróleo e petroquímica, mas a maior parte das máquinas e equipamentos ainda era importada. A Mecânica cresceu e se multiplicou, dando origem a várias outras feiras industriais.
O setor eletroeletrônico fez sua primeira feira independente em 1965, o de plásticos lançou a Brasilplast em 1987, e o de máquinas-ferramenta lançou a primeira Feimafe - Feira Internacional de Máquinas-Ferramenta em 1989. E o evento original foi direcionado para bens produzidos pela indústria metal-mecânica.
Além da tendência de divisão, as grandes feiras passam por outro desafio: adequar o crescimento com o espaço físico dos espaços de convenções. Fora a competição com o segmento de eventos corporativos. "Muitas empresas preferem investir nesse tipo de eventos para fidelizar clientes e ampliar as relações comerciais e alguns são tão grandes que não cabem em uma feira", diz Mello.
Exemplo de um grande evento corporativo é o Super Casas Bahia, que irá para sua sexta edição. O evento recebeu no ano passado R$ 15 milhões de investimentos. A expectativa era alcançar um faturamento de R$ 80 milhões e receber 2 milhões de pessoas. A varejista não divulgou o balanço do evento, ocorrido em dezembro, mas ampliou seu contrato com o Centro de Exposições do Anhembi para até 2012.
Reed Exhibition
O presidente da Reed Exhibition Alcantara Machado, Juan Pablo de Vera, o mercado de feiras de negócios está em um momento de crescimento no País, acompanhando os setores da economia que também estão na ascendente. Ele conta que segmentos como o automotivo, energia, agronegócios e máquinas e bens de capitais são os que estão em franco crescimento.
A companhia é resultado de uma joint venture realizada entre a Reed Exhibition e a Alcantara Machado em abril do ano passado. A parceria teve início ainda em 2006, com a realização da Feira Internacional da Indústria da Construção (Feicon Batimat), seguida da Feira de Segurança Eletrônica (ISC Brasil) e do Salão Imobiliário São Paulo (SISP).
Atualmente, a companhia realiza 34 eventos. No início da joint venture eram 23. "Inicialmente, nosso objetivo era dobrar o negócio em um prazo de cinco anos", conta Vera, mas, segundo o executivo, "fizemos uma revisão nesse prazo uma vez que já atingimos um crescimento de 50% no volume de feiras de 2007 para 2008", conta. "Por esse motivo, a previsão para duplicar o volume de eventos caiu para três anos", completa.
Para 2009, a empresa prevê três projetos voltados para os segmentos de meio ambiente, transporte e petroquímico. As novidades apresentadas este ano foram a AgriShow, em Ribeirão Preto (SP), realizada em maio, e a Autopeças, que acontecerá em outubro, no Anhembi, em São Paulo. O planejamento da empresa vai até 2014 e segundo Vera, para 2009 já está previsto um crescimento de 35% no volume de feiras.
Uma outra empresa que está nesse segmento e se especializou nos segmentos de alimentos e bebidas é a Brazil Trade Shows, responsável pela Fispal Food Service e também a Fispal Tecnologia. Para o diretor administrativo e financeiro da empresa, Artur Salles, esses segmentos estão em crescimento e por isso o objetivo da empresa e fortalecer sua posição como líder na realização de feiras de alimentos e bebidas no Brasil. A Brazil Trade Shows (BTS) foi criada em setembro de 2007 e pertence ao fundo de investimento DLJ.
A empresa adquiriu a Fispal, em setembro e a Dipemar, em dezembro do ano passado. Além das feiras, a companhia também é responsável pela edição de quatro revistas segmentadas.
Este ano, serão realizadas sete feiras no total e por enquanto, o calendário de 2009 prevê seis eventos, uma vez que a MercoAgro, a TecnoCarne e a TecnoLáctea & Sorvetes são bienais. "O objetivo da companhia é se fortalecer dentro dos segmentos de bebidas e alimentos", conta Salles
Fonte: Gazeta Mercantil
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